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“Para vir a possuir tudo, não queiras possuir algo em nada.
Para vir a ser tudo, não queiras ser algo em nada.”
(Subida ao Monte, São João da Cruz)

De Mogli a São João da Cruz

Consagrado pelo cinema internacional na clássica animação, o menino lobo era ajudado a enfrentar os desafios da floresta por um urso simpático. Balu, nome do urso-beiçudo amigo de Mogli, ensinava seu pequeno companheiro cantando: “Necessário, somente o necessário, o extraordinário é demais”. 

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A máxima do filme Mogli resume, em palavras simples, ensinamentos de vários instrutores que passaram pela humanidade. Da República de Platão na Grécia Antiga a São João da Cruz e as Carmelitas descalças, a alma humana revela uma profunda inquietude por algo que a preencha. Seguindo os passos dos grandes Instrutores e na contramão do padrão consumista atual, muitos já suspeitam que o “algo” que nos traz felicidade não pode ser saciado por bens materiais.

Desponta no horizonte um convite para uma extraordinária jornada de desapego do supérfluo e busca interior. Diante de tantos avanços tecnológicos e objetos que rapidamente se tornam ultrapassados, ressoa a pergunta: o que seria supérfluo, então?

Caos ambiental e os Minimalistas de hoje

Em abril deste ano, no parlamento europeu, uma adolescente sueca irrompe a apatia humana diante do caos ambiental já instalado no planeta: “A erosão dos solos férteis e a desflorestação das nossas florestas primitivas, a poluição, a morte de insetos ou a eutrofização dos nossos oceanos são desastres que estão a ser acelerados pelo nosso modo de vida, e temos a impressão de que temos o direito de continuar”. O alerta da jovem Greta Thunberg, de apenas 16 anos, já corre a internet e ganha adeptos por várias partes do mundo.

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Assim, vários chegam ao mesmo tempo a conclusões que conduzem a profundas mudanças no estilo de vida. Refletindo e reduzindo o consumo de coisas apenas ao necessário, a filosofia do Minimalismo oferta à sociedade novas formas de vida. Joshua Fields e Ryan Nicodemus, protagonistas do documentário “Minimalismo: Um documentário sobre as coisas importantes”, apresentam no filme a transformação de suas vidas ao frearem o próprio padrão de consumo, e mostram o panorama crescente de apreciadores da ideia.

Eles reduziram o número de peças de roupa e só mantêm os móveis indispensáveis no apartamento. Soma-se a reflexão do custo de produção para a Natureza de cada objeto pseudonecessário que agregamos à lista de compras.

O mais surpreendente é que a austera busca pelo desapego do supérfluo traz a felicidade silenciosa do sono despreocupado de dívidas e segurança dos bens materiais. Revela a paz dos mosteiros franciscanos. Dos que, livres, sabem estar colaborando para que o planeta possa se regenerar após séculos de exploração. Uma transformação sincera e necessária, que surge como esperança e alívio para os Reinos da Natureza.

E o urso Balu conclui: “Por isso é que esta vida eu vivo em Paz”.

Sugestão de documentário:

Minimalismo: Um documentário sobre as coisas importantes