Pachamama: gestas em ti a Nova Humanidade

//Pachamama: gestas em ti a Nova Humanidade

“Não podem ser mercantilizados os sistemas

de vida, nem os processos que a sustentam, nem fazer parte do patrimônio privado de ninguém.”

 

muitas sementes já começaram a brotarO conhecimento oriental já dizia há milênios que todo fim encerra em si um novo começo. E nesse fim dos tempos, embora a desesperança e o caos tentem se instalar, é preciso lembrar: a nova humanidade já está sendo gestada e, a cada dia, mais e mais manifestada. Se é certo que, de um lado, a inconsciência do ser humano ainda fira intensamente o coração do planeta, é certo também que muitas sementes já começaram a brotar.

Uma dessas sementes é nada menos que uma das maiores quebras de paradigma do mundo jurídico contemporâneo. O Equador, em sua Constituição (2008), e a Bolívia, com a Lei dos Direitos da Mãe Terra (2010), instituíram expressamente os Direitos da Natureza, reconhecendo-a como sujeito de direitos. Há muitos importantes aspectos dessa inovação que têm um valor simbólico inestimável para nossa humanidade, mas por ora iremos destacar apenas dois deles.

O Homem e a Natureza

O primeiro aspecto é que a natureza deixa de ser vista como coisa, como objeto, passando a ser vista e tratada, juridicamente, como sujeito. No paradigma do direito ambiental, a natureza é protegida como objeto, tendo o ser humano direito sobre ela ou direito a um meio ambiente sadio – mas o direito é humano. Nesse novo paradigma, todavia, a natureza tem direitos por si mesma, ela é alguém. Assim, a relação do reino humano com os Reinos da Natureza dá um passo no sentido de alcançar novo patamar, cuja tônica deixa de ser o domínio para ser o reconhecimento.

O segundo deles é o reconhecimento e incorporação da sabedoria dos povos originários do continente. Os teóricos que se debruçam sobre o tema compreendem os direitos da natureza a partir da noção de “buen vivir” (suma kawsay ou suma qamaña) que integra a cosmovisão ameríndia e tem inúmeros desdobramentos na forma de se relacionar não só com a terra, as florestas, os animais, os rios, mas também com as pessoas, com o consumo, etc. Representa, portanto, um passo de humildade e reparação em relação à Consciência Indígena.

Essa é uma das muitas sementes recém-brotadas. Podemos ainda mencionar a permacultura, a agrofloresta, agroecologia, bioconstrução, veganismo, entre tantas outras. Que possamos nos conectar com esses impulsos, cuidando e zelando para que eles venham florescer e dar os frutos tão necessários para alimentar não apenas nossos corpos, mas, sobretudo, nossos espíritos.

Pachamama

 

Assistam nosso vídeo no YouTube sobre os Oceanos de Luz:

https://www.youtube.com/watch?v=YJ5YbxelmpY

2019-02-02T17:58:40+00:001, fev 2019|Reino da Natureza|